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Sexta-feira, Janeiro 15, 2021
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Dia 6 – A questão da assistência

Um dos grandes problemas da luta contra a pobreza é os assistentes não ouvirem os assistidos. Digamos de forma mais clara que quem assiste ouve apenas aquilo que está à espera de ouvir, não o que é realmente dito.

Vou relatar aqui uma parte da história de Célia (nome de empréstimo). Célia esteve presa por pecadilhos menores e quando saiu da prisão estava sem nada. Nada. Nem casa, nem emprego, nem família, nem filho que ficara à guarda dos avós. Estava sem domicílio fixo, que é a forrma adocicada de dizer estava na rua. E recorreu a uma instituição para pedir ajuda. Ajudaram-na. Arranjaram-lhe um quarto nojento por 250 euros por mês e umas ajudas esporádicas que nunca ultrapassaram os 70 euros.

Grata pela ajuda, Célia, contudo, queria mais. Mas que mais quer ela (ou ele)? ouve-se demasiadas vezes. Queria que lhe arranjassem os dentes para que não a pusessem imediatamente de lado quando se apresentava para um trabalho. Porque mal ela abria a boca desdentada a resposta era não até para lavar pratos, varrer as ruas, fazer as limpezas nocturnas em escritórios.

Esta mesma instituição que se negava a pagar-lhe uma simples placa — que poderia tirá-la da assistência e devolver-lhe a sua independência e dignidade de pessoa socializada e produtiva — propôs-lhe com insistência pagar-lhe as despesas para que ela fosse reatar uma relação com o filho que não via há anos e recusava compreender que ela não queria fazer isso antes de ter um emprego e uma casa onde pudesse recebê-lo… e dentes.

Nos seus dias o acabrunhamento imperava. Não tinha nada para fazer e não podia fazer nada, já que o dinheiro mal dava para comer e para tomar um café. Quase não via ninguém, perdeu o hábito de conversar, fechou-se e toda a sua vida estava focada nisto: porque não me ajudam a pôr uma placa dentária?

Graça Jacinto

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