11.7 C
Vila Real
Quinta-feira, Janeiro 21, 2021
Inicio Opinião Pavilhão Rosa Mota ou uma marca de cerveja?

Pavilhão Rosa Mota ou uma marca de cerveja?

Sempre me pareceu de mau gosto, e até muitas vezes parolo, atribuir nomes de pessoas vivas ao que quer que seja de morto — ruas, monumentos, equipamentos, etc. Haverá talvez excepções, quando se chamem Aristides de Sousa Mendes (a ele ninguém homenageia nem morto…) ou semelhante. E há casos, como o de Rosa Mota, em que apetece condescender um bocadinho: grande campeã, mas terra-a-terra e inclusive com algum empenhamento cívico e social, e uma genuína maneira de ser e falar «à Porto», que se revê nela como poucas vezes sucede. Ainda assim, continua a parecer de mau gosto.

O que não significa que se deva dar ao ex-Pavilhão dos Desportos, e já quase ex-Pavilhão Rosa Mota, o nome de uma marca de cerveja.

Suponho, aliás, que as justíssimas críticas a um executivo municipal que trata a cidade como se toda ela estivesse à venda ainda pecaram por escassas, passando ao largo do principal.

É que não está escrito em lado nenhum de nenhuma lei administrativa que o concessionário de um equipamento municipal passe, ipso facto, a deter o direito de lhe alterar o nome. É como se há uns anos a IURD, em vez de comprar o Coliseu (todos se lembrarão com certeza de um operático Pedro Abrunhosa auto-acorrentado), o arrendasse e lhe mudasse depois o nome para Igreja-Universal-do-Reino-de-Deus-vai-buscá-la-ó-Passos-Manuel-seu-ímpio-setembrista. Convenhamos…

Falando em Setembro, tem mesmo alguma graça uma Câmara que se faz de coitadinha, quando, segundo constou na altura, terá andado a multar o concessionário por cada dia de atraso nas obras, prejudicando com isso o estaleiro dos livros, perdão, a Feira do Livro.

Quem manda é a Câmara, não é o concessionário. E a mudança de nome dever-se-á decerto a qualquer coisa como isto: o sponsor (a Super Bock) propõe ao concessionário, ou vice-versa, um patrocínio reforçadíssimo caso possa assumir o próprio nome do pavilhão; o concessionário reúne com a Câmara; e a Câmara aceita. A única coisa a investigar, aqui, é quando isto se passou: se logo de início, se num tempo posterior. E, já agora, se alguém com funções públicas terá recebido algum pagamento que não devia por tão prestimosos serviços à cervejeira. Embora o interesse de tal investigação seja quase académico… Sim, o Porto está à venda.

Falando em Coliseu, “Arena” era o palco em terra batida no Coliseu de Roma onde os condenados gladiadores se matavam uns aos outros e os cristãos se expunham para chacina às feras, espectáculo cujo precedente, segundo rezam as crónicas, terá sido a condenação de um célebre bandido à morte «ad bestiam» (amarrado para os animais o devorarem facilmente) decretada pelo primeiro imperador, Octávio.

Repúblicas que passam a impérios dão sempre asneira. Mas o novo nome do pavilhão não deixa de ser uma interessante metáfora dos tempos que correm na cidade.

Gonçalo Ribeiro

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, introduza a sua mensagem!
Por favor, introduza o seu nome aqui

Últimas Notícias

Martim Pereira, o talento Penaguiota

Martim Pereira, Fontense de gema, tem 12 anos e é tido como a futura promessa do futebol português. Quem o conhece, fala da personalidade discreta e humilde que o caraterizam. Embora discreto, o seu talento a dominar a bola não passa ao lado dos olheiros do futebol, a quem desde cedo começou a despertar a atenção.

Tomada de posse dos órgãos sociais da FCM

Durante o dia de ontem decorreu a cerimónia de tomada de posse da nova direção da Fundação Dr. Carneiro Mesquita (FCM).

Agência CA de Fontes reabre na próxima semana

Durante a fase crítica da pandemia provocada pela COVID-19, esta agência CA manteve-se em permanente contacto com a Junta de Freguesia, no sentido de continuar a disponibilizar os serviços mais urgentes aos clientes fontenses, como o transporte e entrega das pensões aos mais carenciados ou grupos de risco e o permanente funcionamento do Multibanco.

Comércios Fontenses em tempos de pandemia – Móveis Chico e Supermercado

A vila de Fontes, em Santa Marta de Penaguião, é uma das localidades que, até ao momento, não registou qualquer caso de infeção por coronavírus.

Comentários Recentes

Graça Jacinto on Na cavaqueira com…
Lurdes Teixeira on Na cavaqueira com…
Graça Jacinto on Na cavaqueira com…
Graça Jacinto on Na cavaqueira com…
Acacio Mesquita Carvalho on Na cavaqueira com…
Graça Jacinto on Acidente mortal no Cóvo