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Sexta-feira, Abril 23, 2021
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Economia Social – o que é?

No dia 11 de Dezembro, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) organizou o Fórum Transfronteiriço A Economia Social e mais além no âmbito do projecto de cooperação LACES – Laboratórios de Apoio à Criação de Emprego e Empresas de Economia Social, programa que visa contribuir para o desenvolvimento e consolidação da Economia Social na Eurorregião da Galiza e Norte de Portugal através da modernização de estratégias de promoção e apoio a esta economia solidária e colaborativa.

Este projecto, cofinanciado a 75% pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) no âmbito do programa INTERREG V-A Espanha-Portugal (POCTEP) 2014-2020, tem como objetivo proporcionar um salto quantitativo na sua capacidade de gerar e consolidar emprego através da execução de programas piloto para a competitividade e estímulo às empresas de Economia Social no espaço transfronteiriço. O Fórum contou com dois momentos de debate: o primeiro, dedicado ao Caminho Português, contou com a presença de Helena Loureiro da Portugal Inovação Social, Manuel Maio da CASES – Cooperativa António Sérgio para a Economia Social, Pedro Norton de Matos do GreenFest e Luísa Marques do Impac Hub; o segundo momento, dedicado ao Caminho Galego, foi representado por Daniel Bóveda da Rede Galega Contra a Probreza, Miguel Braña da Rede de Economia Alternativa y Solidaria e Ana Oliveira da Unión de Cooperativa Espazocoop.

A conversa foi moderada por Joana Moreira, da Social Business School, que iniciou o debate com o resultado de um estudo publicado pela consultora Deloitte, que diz que a geração Millenials (os que nasceram entre 1980 e o ano 2000) procura um propósito no local de trabalho, muito mais do que dinheiro ou cargo dentro de uma empresa. Querem trabalhar em empresas que tenham uma visão que contribua para o meio ambiente e para a sociedade.

Luísa Marques concorda que a comunidade Impact Hub, em Lisboa, que tem já 90 membros, é constituida por pessoas que seguem os seus desígnios pessoais, que procuram produzir impacto para o bem comum e contribuir para a sociedade em que vivem. Recordou o seu passado profissional na indústria da banca e da saúde, em que se aplica o princípio do crescimento económico, em que o objectivo principal é o do retorno financeiro e sublinhou que no século XXI, devemos substituir a ideia de crescimento pela de prosperidade.

Manuel Maio explicou o objectivo da Cooperativa António Sérgio, que tem como missão desenvolver a economia social, fazendo pontes entre o estado e a sociedade civil. Seguidamente, na qualidade de advogado, fez o enquadramento legal do conceito de economia social, que em 1976 se resumia ao sector cooperativo, e só em 2013 a Lei de Bases da Economia Social define e enquadra as entidades do sector, a saber: cooperativas; associações mutualistas; misericórdias; fundações e associações com fins altstas. Todas as entidades referidas têm em comum não visar o lucro, ou seja, o excedente tem de ser reinvestido na sua actividade e não distribuído pelos sócios, sendo este um ponto fundamental que as distingue das empresas privadas de capital.

Helena Loureiro falou da importância dos instrumentos de financiamento, que estão alavancados através do PT2020 com verbas do Fundo Social Europeu, mas também da importância de se comprovar o impacto positivo do investimento nos beneficiários. Para a fundadora e presidente da Direção da Gondomar Social, a economia social tem a capacidade de transformar e criar impacto no outro, sendo capaz de resolver problemas sociais e necessidades das populações de um determinado território, daí a ligação entre a comunidade e os seus municípios.

Pedro Norton de Matos, economista e docente no mestrado de gestão da Universidade Católica de Lisboa, reforçou que o impacto não pode ser só financeiro, mas também social e ambiental. Considera igualmente que, sendo a eonomia social o 3.º sector da economia (o Estado é considerado o 1.º sector e as empresas privadas o 2.º sector), devemos reduzir a divisão existente entre o sector privado e o sector social.

Na segunda parte do debate, no painel da Galiza, Daniel Bóveda apresentou a Rede Galega contra a Pobreza, que nasce na sequência das redes espanhola e europeia, e refletiu sobre a tendência actual para criminalizar as pessoas em situação de pobreza associada ao discurso de ódio.

Miguel Braña falou acerca das falhas do modelo capitalista actual e de como algumas empresas procuram uma economia alternativa e solidária, que não esquece que somos seres interdependentes, uns dos outros e do planeta. Lembrou ainda que o capitalismo não paga muitos dos serviços de apoio a pessoas, porque esses serviços são realizados por pessoas muitas vezes não pagas (como os cuidadores informais) ou que recebem muito pouco.

Ana Oliveira elencou os vários tipos de cooperativas que existem na Galiza e que podem ser de trabalhadores, de ensino, de consumo ou de serviços, explicando que nas cooperativas de trabalhadores, são eles os donos da empresa, logo, as decisões são horizontais, porque não há um líder. Terminou com uma análise muito perspicaz sobre a economia social, sobre a vantagem de não haver deslocalização da mão-de-obra, porque os produtos são feitos no local, sobre a importância para a comunidade de existirem empresas que colocam as pessoas em primeiro lugar e que não pensam só em crescer, crescer, crescer…

As notas finais do Fórum foram apresentadas por Rui Pedroto da Fundação Manuel António da Mota, que fez uma síntese muito clarificadora dos assuntos debatidos, destacando a avaliação do impacto da economia social, para se perceber qual o resultado na mudança da vida de uma pessoa, qual a transformação, por oposição ao assistencialismo, já que «muitas vezes, só dar apoio não chega, nem sempre funciona»! Terminou concluindo que economia só há uma, existe para satisfazer as necessidades da vida humana. A questão é como o podemos fazer de forma mais justa. Temos de acabar com o mito de separação entre a economia de mercado e a economia solidária e social.

***

Aldeias Pedagógicas

Dois dias antes do Fórum Portugal Economia Social, que decorreu em Lisboa, no dia 10 e 11 de Dezembro, em entrevista ao programa da RTP 3 “Tudo é Economia”, Filipe Almeida, presidente da Portugal Inovação Social, falou sobre os projectos de norte a sul que esta estrutura governamental apoia, nomeadamente o projecto Aldeias Pedagógicas, em Vimioso, Bragança.

Fotografias e citações tiradas da página das Aldeias Pedagógicas no FB

Aldeias Pedagógicas é um projeto de inovação social «que promove o envelhecimento ativo, a intergeracionalidade, a valorização, a participação cívica e familiar e o bem-estar físico e mental do idoso através da participação dos idosos enquanto guias de uma visita pelo passado de três aldeias, pensada para grupos escolares e outros grupos, visita essa recorda as artes, ofícios e tradições de outros tempos. (…) valoriza os saberes, os ofícios, experiência de vida dos idosos e a sua ligação ao mundo rural, tornando-os nos “Mestres” das aldeias: são os idosos que melhor guardam os saberes de outrora e são também eles que melhor os sabem transmitir. Os visitantes percorrem um circuito pelas ruas das Aldeias Pedagógicas, passando em pontos definidos, ouvindo, observando e experimentando as artes e ofícios destes Mestres».

Sofia Lourenço

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