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Sexta-feira, Julho 10, 2020
Inicio Dia Internacional das Mulheres Muito mais do que flores e autocongratulações

Muito mais do que flores e autocongratulações

As lutas das mulheres não são de hoje. A História conta-nos que elas são mais antigas que a Antiguidade, que tiveram avanços e recuos, conforme as épocas. Mas nunca como hoje este movimento, que exige igualdade perante a lei, respeito social e reconhecimento, foi tão vasto.

É um movimento planetário como o demonstram as notícias que todos os dias vemos nas televisões, na imprensa e nas redes sociais. Nas artes e nas ciências, na tecnologia e no desporto, no mais diversos ramos do saber e da intervenção social e política, vemos desenvolverem-se lutas colectivas e individuais nos locais de trabalho, no lazer e na família. Lutas pela dignidade e pelo reconhecimento dos direitos.

São lutas desiguais em sociedades desiguais, económica, política e culturalmente. Num sítio luta-se pelo acesso ao ensino, noutro pelo simples direito de andar na rua sozinha, noutro pela igualdade de oportunidades e de salário, em todos pelo direito básico a sermos donas de nós mesmas, i. e., dos nossos próprios corpos e do nosso pensamento. Denunciam-se mitos e ideias feitas, alguns dos quais velhos de mais de um mil anos. E surgem, claro, tentativas de corrupção. A cada mito destruído testemunhamos da tentativa de criação de um novo pela sociedade patriarcal.

A sociedade patriarcal não são apenas os homens, são também as mulheres que, há séculos educadas no preconceito, vêm em seu socorro e se opõem a esta nova visão, receosas de perderem privilégios ou temerosas do desconhecido que é uma liberdade reclamada e não dada como migalha para nos calar a boca.

Não há liberdade outra que não aquela que nos damos a nós próprias, não há respeito outro que não aquele que exigimos para connosco, não há igualdade que não aquela que conquistamos, não há dignidade em sermos cópias conformes e conformadas do que se espera de nós para a continuidade do status quo.

Queremos flores, sim, e bonbons e perfumes e jantares à luz das velas. Mas queremos mais do que isso. Queremos que os nossos homens se juntem a nós, que defendam as nossas causas, que sejam mais do que pais, irmãos, maridos, filhos, amigos, amantes. Queremos que sejam nossos companheiros de vida e de luta. Queremos homens que não têm medo das mulheres livres que seremos, homens que queiram ser livres connosco, que acolham a nossa igualdade sabendo que ela também os liberta a eles e lhes abre novos horizontes.

Não podemos nem devemos esquecer que este dia não é uma celebração do mito do eterno feminino, nem das mulheres maravilhosas que somos, porque não o somos. Este dia começou há mais de um século com a manifestação de 15 000 mulheres americanas que marcharam em Nova York pelo direito de voto, por salários justos e menos horas de trabalho. E esta lutamcontinuou apesar da repressão tantas vezes violenta por um estado e uma polícia totalmente masculinos, a quem o eterno feminino só interessa desde que não abramos a boca!

É cada mulher que deu a vida, que lutou por melhores condições de trabalho, pela igualdade de salários, pelo direito a trabalhar e ter filhos, que ousou designar o seu carrasco, que lutou pelo direito ao voto, pelo direito ao aborto, pela direito a participar nas instituições que nos regem que devemos celebrar.

Graça Jacinto

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