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Sexta-feira, Abril 23, 2021
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O Norte está vivo! Viva o Norte!

Somos transmontanos, minhotos, durienses, somos do NORTE. Se muito nos separa em carácter e temperamento, muito mais nos une. Entre outras coisas importantes, mas que seriam indiscerníveis a burros por mais que se lhes explicasse, somos resilientes, como agora se diz, somos trabalhadores, somos portugueses muito misturadinhos com galegos, castelhanos, negros, judeus e ciganos e mais antigamente com mouros, celtas e até vikings e usamos o palavrão com muita leveza. Somos matreiros, fagueiros e lambisqueiros como a raposa do Aquilino (no Minho dizem lambareiro e até lhe dão um outro sentido mais salgado).

Sim, somos uma população envelhecida, os mais novos emigraram porque a vida aqui é rude, somos pobres porque quem nos explora colhe o fruto do nosso trabalho e deixa-nos migalhas. Essa do estarmos concentrados em lares não dá para respoder: é simplesmente absurda. Ide lá ver qual é a concentração de velhos em lares em outras regiões!

Não somos nem melhores nem piores que lisboetas ou alentejanos ou outra região do país. Somos defeituosos como todos eles e de perfeito coração como todos eles. Somos gente. Transformámos a paisagem arduamente e mantêmo-la arduamente bela e produtiva apesar do cerco de miséria com que fomos brindados. Embora brutalmente consignados à miséria e ao obscurantismo, foram os nossos emigrantes que transformaram as nossas cabanas em casas mais dignas, que melhoraram um pouco a nossa vida, não foi o poder central nem os pequenos déspotas locais – esses mantiveram-nos bestas de carga. Até a Igreja Católica que nos quis supersticiosos e obedientes tem cedido perante nós e é bem mais antiga que vós outros.

Estamos habituados à adversidade. Somos do NORTE e temos uma sisu (a resiliência avant la lettre) do caraças, comparável à dos finlandeses que tanto se orgulham dela, embora sejamos mais discretos. Os finlandeses vocês conhecem, enfim, pensamos, dada a quantidade de vezes que os dais como exemplos de bom comportamento, mesmo sem nunca terdes lá vivido e lá não terdes amigos. Lá como cá não há como uns artiguinhos nos média para dar à realidade um tom de fantasia.

Se a ignorância, a pobreza e a velhice fossem razões para a disseminação da covid-19 já devíamos estar mortos. Mas não estamos. Cantamos, dançamos, fazemos romarias, feiras, festas, essas que as televisões gostam de mostrar com superior complacência em vez da nossa cultura, das nossas tradições, do nosso modo de vida, que têm ajudado a arruinar. Mais fantasia das vossas cabeça do que realidade nossa.

Um televisão nacional que se dá ao luxo de maldizer de uma parte do país, distorcendo factos para prorrogar mitos que nos separam numa altura em que todos estamos a aprender a estar juntos, a aprender o valor de sermos um, é uma caganita na paisagem: passamos-lhe por cima.

O Norte está vivo! Viva o Norte!

A Redacção

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