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25 de Abril

Neste 25 de Abril que comemoramos em confinamento, o Portas do Marão vai pôr no seu suplemento poemas, fotografias e músicas dedicadas ao longo do dia. Se os autores se sentirem roubados, lembrem-se: é pela mais maravilhosa das primaveras. E começamos assim:

NOTÍCIAS DO BLOQUEIO (XI)

O 25 DE ABRIL FOI ONTEM. FAZ 46 ANOS AMANHÃ

O 25 de Abril foi ontem; faz 46 anos amanhã.
Foi ontem e foi breve como a porta que acabei de abrir.
E longo; era infinito em cada segundo.
O quente fraterno tinha acabado de chegar
e vibrava nos pomares interditos.
Deu-me um vislumbre do tudo
no inteiro no íntegro no duradouro.

O vislumbre eufórico não teve mais fôlego
as velas não duraram,
as palavras começaram a faltar
e não havia palavras novas para reacender.
Não podia ser muito futuro.
O mundo não estava preparado para o receber.
Perdeu-se a defender o que iria perder
e foi-se desanimando.

O 25 de Abril foi ontem
e amanhã não faltarei às ruas
O ar respira pouco
e as ruas não me querem nas suas ruas.
O vírus espalha insolências na respiração
e valas comuns em Manaus e em Nova Iorque,
mas quero furar as ruas e plantar um nascer.
Trouxe-o daqueles dias equinócios que acendiam futuros de genuíno desejo.

Foi ontem; faz 46 anos.
Já não é novo, bem sei, mas ainda tem vinho
ainda tem vinho de sonhos que alimentam ninhos.
Está dentro de um vaso e seria jardim
até as dunas o seriam onde o mar se iria deitar
para receber o vento que traz o futuro para dentro de nós.

Deu o que deu de infinito ao que sobreveio.
Não deu os abraços de infindável encantamento que devia ter dado.
Os deuses da desigualdade não permitem.

Os vírus entraram em quase todos os pomares
os barcos desertaram
as zaragatoas não têm fábricas
venderam a luz, a composição do ar, as cartas, as hortas,
as telegrafias e os fios de muitas grafias,
tudo vai para a vala comum dos dividendos.

Foi ontem e faz 46 anos amanhã.
Vou soltar os meus balõezinhos com migalhas de sonhos adiados;
a ver se o ar me recebe.
Vou com o futuro dos meus netos ao colo.
Talvez consiga aplacar as fúrias dos vírus desaustinados.

Manuel Costa Alves, 24 de abril, 2020.

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